Sou fruto
estragado, adubando a terra.
O grito
engasgado, dos que vivem em guerra.
A pá que
um corpo enterra.
A dor que
no peito impera.
Sou húmus
que faz germinar a semente.
Sou sombra
neste chão quente.
O lixo
acumulado na enchente.
Sou o
pecado na mente, em brasa ardente.
Sou o
leito seco do rio.
A
escuridão do beco sombrio.
A serpente
do pensamento vazio.
O veneno
da língua no cio.
Sou o erro
repetido.
O ódio no peito escondido.
A
perspicácia do bandido.
O ego revoltado
e agredido.
Sou a
sedução e o mistério.
Sou quem te domina e tudo quero.
Sou teu
governante e impero,
Sem precisar jamais de critério.
Sou o
calor e o frio.
Na espinha, o arrepio.
O medo e a
coragem.
Estou
sempre em vantagem.
Sou a
alegria e a tristeza.
A pobreza
e a nobreza.
A doença
e a saúde.
O barulho
e a quietude.
As
divergências das situações.
As dúvidas
nos corações.
O peso de
tuas aflições.
As
respostas e as confirmações.
Faço parte
de você, posso ser você.
Sou a
sombra que te espreita e te segue
E se
deixar que eu te carregue,
Ficará à
minha mercê.
Sou parte
do bem...
Sou parte
do mal...
Alimente o
que convém,
O que te
seja ideal.
Por que sou
real, sou virtual,
A nada sou
igual.
Sou parte
razão, parte sentimental,
Em tudo, sou o diferencial.
Que te
pune, que te assume,
Que te une
ou desune,
Que te
leva ao cume do ciúme,
Ou ao mais
puro lume.
Susely
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Um comentário:
Voce está todo dia se superando nas palavras...que delicia ler este poema...
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