domingo, 25 de março de 2012

VIDA...







Sinais de fumaça que o vento levou,
Projetos e planos que o destino esqueceu,
Proferidas palavras que o tempo apagou,
Um olhar sobre o ontem que se perdeu...

Nas dobras do tempo, labirinto sem volta,
As ervas daninhas fecharam as saídas.
Quentes marés soluçam comovidas,
Sobre tumbas de amargas revoltas.

Quando o mel azedou?
Quando o céu escureceu?
Quando a dor chegou?

É tudo tão igual
Quando tão diferente...
O mundo é banal
E o viver inconsequente...

Lições me ensinaram,
Experiências que não deveria passar,
Mas as regras se quebraram,
E tudo isso eu fui buscar.

O tapa da vida é um balde de gelo,
Que penetra a alma e traz desespero.
Ninguém aprende com a vida alheia,
Só meu pé pode afundar na areia.

Quando a mente se perdeu?
Quando a esperança findou?
Quando o coração se fechou? 

Se não for pelo amor,
Aprender-se-á pela dor.
Quem não sabe escutar,
Tão pouco saberá falar.
  
Um dia termina,
O outro começa,
E a mente sempre com pressa,
Não reflete... Não examina...

Quedas são normais
Mas não quando são iguais...
Há tanto aprendido,
E muito mais adormecido...

Até quando negar e fingir banido,
O óbvio que no coração foi embutido.
Até quando sentir e não saber usar
O amor que a vida deve abastar?


Susely - Fev/2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

LETAL





Delineio uma verdade abstrata,
Ingrata, que maltrata.
Num papel um rabisco inalterado,
Vincando e marcando o inacabado.

Fios de uma mesma meada,
Cheio de pretexto, sem conexão...
Retórica fria e desamparada,
Segmento de uma aflição.

Como lâmina letal,
A dilacerar minhas vísceras,
Surge teu olhar angelical.

Com a sutileza perversa das feras,
Vem como num dia dominical,
Mortificar minhas quimeras.

Susely - Fev / 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

MARIONETE





Manipulam minhas necessidades,
Fazem-me engolir atrocidades,
Mediocridades da sociedade.
Sou marionete, eis a verdade.

Quero quebrar os grilhões,
Alcançar a liberdade.
Será que agüento novos rumos, novos padrões
Totalmente fora desta realidade?

Quero quebrar minhas barreiras,
Expandir minhas fronteiras.
Quero construir belas pontes...

Quero Transpor vales e montes,
alcançar novos horizontes.
Quero as "verdades" verdadeiras...

Susely -  Fev/ 2012

terça-feira, 20 de março de 2012

PEDAÇOS DE MIM...







Perseguia-me insanamente,
Como único alvo existente.
Implacável caçadora oprimente,
Evoluía teu domínio prosperamente.

Negligente, não sabia da coexistência,
Onde em mim se embrenhava,
Que em minh'alma se propagava,
Oprimindo-a com malevolência.

Sombra que meus olhos não viam,
Voz que meus ouvidos não ouviam,
Melancolia que o coração não sentia,
Mas que em me aplacar, não tardaria.

Como vulcão em erupção,
Lava fumegante em consumação,
Jorrou ferozmente, devorando sem perdão,
O espírito que lutava por exoneração.

Pedaços de mim, tão ignorados,
Nas entranhas de meu ser enterrado.
Presentemente auferido e revelado,
Esmagando e fazendo ruir, qualquer sentimento apaixonado.

Nesta realidade, minhas verdades mutantes,
Castigam-me penosamente, incessantemente,
Mas, enquanto me penitência,
Meu coração e mente sapiência.

E neste deserto de areia escaldante,
Vagarosamente sigo cambaleante,
Procurando a fonte que me alimente,
Pelejando na conquista de um coração clemente.

Busca Infindável do propósito vital, infligi meu ser,
Ambiciando aprender a viver, ao amor ceder e conceder,
Pretendo subjugar-me ao domínio deste sublime poder,
Pra talvez assim, apesar de tudo, a esperança não perder.

Susely