sexta-feira, 29 de junho de 2012

SILÊNCIO



O teu silêncio,
O meu silêncio,
O nosso silêncio...

Palavras perdidas,
Ditas, distraídas,
Muitas, esquecidas,
Outras ainda, tão vivas...

Gestos de carinho,
Um abraço quentinho,
Um beijo, um cheirinho,
E a saudade se alojando de mansinho...

Um dia, fomos,
No outro, também.
Sinto que ainda somos,
Mas, como foi, não será com mais ninguém...

Sutilmente nos afastamos.
No vazio que ficou,
Nada jamais penetrou.

Os dias vão passando,
Como se estivessem voando,
E eu, ao longe, só observando...

Nosso subterfúgio,
Já virou refúgio,
Enroscando-se no prelúdio,
Nos dilemas e no repúdio.

Mesmo sem querermos,
Nas trilhas que percorremos,
Nós nos perdemos
E por mais que nos esforcemos,
Não mais nos entendemos.

Hoje, o passado se calou...
Não serviu para amenizar,
Apaziguar ou retirar,
O sentimento que machuca,
Que tão impassível nos distância,
Do amor-amigo que um dia aflorou
E nossa alma conquistou.

Agora, somente resta:
O teu silêncio,
O meu silêncio,
O nosso silêncio,
Este cruel silêncio...

Susely




segunda-feira, 11 de junho de 2012

COISA DE ALMA









Caminho na contra mão,
Vagarosamente, do usual tão desatenta,
Não sei qual a razão,
Tudo normal me deixa sonolenta.

Aprecio a vida de um jeito diferente,
Mesmo que a maioria não compreenda,
Muitas vezes, até julgam inconseqüente,
Não entendem minha contenda.

Espreito alguns detalhes
Coisas que escapam aos olhares,
Fragmentos singulares,
Disfarçados, para não notares.

É preciso relaxar e libertar a mente,
Destravar o consciente,
Dar asas à percepção,
Captar com o coração.

É difícil viver assim,
Camuflada dentro de mim,
Mas, já não dá para esconder,
O que na alma esta a florescer.

Sou o meu juiz e carcereiro,
Dou-me liberdade ou cativeiro,
Concedo-me vida ou morte,
Sou dona de minha sorte.

Ser feliz é coisa de alma,
Seja como for, em depressão ou turbulência,
Rasgada pela solidão ou carência,
Acabo encontrando a Luz que me acalma.

Prá vida não há receita,
Ela jamais será perfeita...
Mas, enquanto houver amanhecer,
Alegria e amor, minh’alma irá reger.

Susely


SAUDADE



Hoje a saudade me torturou e assombrou,

Lado a lado o dia todo, não me deixou,

Não sei por que do coração se apossou,

E docemente na face me beijou.


Dor que esmaga minh'alma,

Que me traga com tanta calma,

Devorando-me em pequenos bocados,

Justificando estes olhos molhados.


Ando sem movimento...

Ouço sem escutar...

Olho sem enxergar...

Enclausurada num alienamento.


Grades de um confinamento,

Imposição de insano pensamento,
Maculando por desamor,

Sublime alma composta de amor.


Susely