terça-feira, 25 de junho de 2013

GRITO DE GUERRA




Cópula da cúpula,
Gestando a opressão que enjaula.
Fomentando da pobre massa a escravidão,
Que mascara a realidade de ilusão.

Existência da insatisfação,
Política ou religião,
Monopólios de uma civilização,
Ébrios de corrupção.

Impiedoso tempo, esculpe seus anos,
No odre dos veteranos;
Marcas amargas e desenganos,
Maculando sonhos e planos.

Meros mortais gritem sua honra,
Estamos em plena zona de guerra.
A vida pra "eles" é um bem anulável
E o ser humano é lixo não reciclável.

Somos os heróis que adubam a terra,
Experientes em sobreviver,
Exacerbados deste entender e obedecer,
De crer que tudo pode acontecer.

Basta! É o grito de guerra.
Justiça! É o que nos espera.
Pode a cúpula fustigar a carne,
Mas da esperança, não há quem nos desarme!

Susely - março / 2012

sexta-feira, 5 de abril de 2013

FOJO



No peito um coração sem vida.
Abandonou-me numa manhã fria qualquer.
Selou-me os lábios do grito que viria.
Não houve remorso, nem pestanejou sequer.

Deixou-me solitária e vazia,
De um sonho que um dia a alma aliciou.
Esmagou a ilusão. Na alegria adaga cravou.
Vida sem vida, privada de comprazia.

Tormentas de um pensamento morbo,
Perdendo o viço, tornando-se enfadonho,
Neste semblante de olhar tristonho.

Lancei-me neste fojo camuflado,
Veredas de mágoas, agora recordados,
Onde mares de sonhos são derramados.

Susely



terça-feira, 2 de abril de 2013

ALMA CIGANA



Ando anormal,
Informal,
Nada paradigmal...
Ando distraída,
De bem com a vida,
Descomprometida...
Ando devagar,
A divagar,
Num mágico vagar...
Ando sorridente,
Independente,
Sem precedente...
Ando na calma,
Com amor na alma,
À vida batendo palma...
Ando de um jeito diferente,
Desencanada, Irreverente,
Desestressada e transparente...
Ando em nirvana,
De alma cigana,
Me sentindo diana...
Ando encantada,
Apaixonada,
Presenteada de vida
E mais nada!

Susely



segunda-feira, 25 de março de 2013

AMANTES





Olhos fechados,
Lábios sugados,
Corpos colados,
Amassados,
Suados...

Mãos que deslizam,
Excitam,
Atiçam...
Aromas que escravizam,
Enlouquecem,
Viciam...

Curvas acentuadas,
Elevações abençoadas,
A serem conquistadas,
Domadas,
Exploradas...

Meus olhos nos teus refletidos,
Revelando desejos escondidos,
Neste balanço desmedido,
Nada será temido...

No âmago, a carne estremece,
Borbulhando, jorra e aquece,
O doce prazer que enlouquece,
Emudece,
Adormece...

Almas reveladas num olhar...
Lábios ainda a se beijar...
Aroma de amor no ar a vagar...
Instante em que o mundo pode acabar.

Susely



quinta-feira, 14 de março de 2013

POSSO SER VOCÊ!





Sou  o fruto estragado, adubando a terra.
O grito engasgado dos que vivem em guerra.
A pá que um corpo enterra.
A dor que no peito impera.

Sou húmus que faz germinar a semente.
Sou sombra neste chão quente.
O lixo acumulado na enchente.
Sou o pecado da mente inconsequente.

Sou o leito seco do rio.
A escuridão do beco sombrio.
A serpente em teu pensamento vazio.
O veneno da língua no cio.

Sou o erro repetido.
O ódio no teu peito escondido.
A perspicácia do bandido.
O ego revoltado e agredido.

Sou a sedução e o mistério.
Sou o que domino e tudo quero.
Sou teu governante e impero.
Não preciso em nada, critério.

Sou o calor e o frio.
Na espinha o arrepio.
O medo e a coragem.
Estou sempre em passagem.

Sou a alegria e a tristeza.
A pobreza e a nobreza.
A doença e  saúde.
O barulho e a quietude.

As divergências das situações.
As dúvidas nos corações.
O peso de tuas aflições.
As respostas, as confirmações.

Faço parte de você, posso ser você.
Sou a sombra que te espreita e te segue.
E se deixar que eu te carregue,
Ficará a minha mercê.

Sou parte do bem,
Sou parte do mal,
Alimente o que convém,
O que te seja ideal.

Porque sou real, eu sou virtual,
A nada sou igual,
Sou parte razão, parte sentimental,
Em tudo, eu sou o diferencial.

Que te pune, que te assume,
Que te une ou desune,
Que te leva ao cume, do ciúme,
Ou enfim, ao mais puro lume.


Susely



domingo, 10 de março de 2013

DESAFIO





É o amor o maior desafio,
Seguir seu rumo, como segue o rio.
Transpor barreiras, desbravar fronteiras,
Não julgando as coisas alheias.

Amar de forma incondicional,
É da vida, uma batalha diária,
Onde opulentos caminhos em direção contrária,
Algemam na farsa, nosso intelectual.

Escravos do vício, disfaçado de bem,
Corrompendo corações,
Massificando no que convém.

Enquanto nos fizermos da injustiça, refém,
Seremos mentes em nebulizações,
Marionetes sem fios em terra de ninguém.

Susely

sexta-feira, 8 de março de 2013

COLAPSO





Queima-me este amor, cujo fogo não vejo,
Inspira-me delírios, inescrupulosos desejos,
Deixando solitário este coração sobejo,
Que se perde na luz de ínfimos cortejos.

Açoita-me a alma com insensata euforia,
Macula meu peito em copiosa nostalgia.
Paixão tirana, pelourinho da utopia,
Injusta balança, pendendo à tirania.

Ligação fulminante alargando feridas,
Instigando provas da alma despida,
Flagelando a essência, que abdica escondida,
Que grita e se agita em eminente rebeldia.

Conduz à demência, ao calabouço do asco,
Sugando sem clemência, sendo carrasco,
Que se desata, ao me arrojar do penhasco,
Na orla da morte, de uma mente em colapso.


Susely


sábado, 16 de fevereiro de 2013

MÃOS




A vida se constrói...

Na magia do pensamento,
Nos vendavais dos argumentos,
Nos temporais do coração,
Na suave dança das mãos...

Mãos que te tocam,
Que aquecem,
Que plantam,
Que colhem,
Que alimentam,
Que escrevem,
Que libertam,
Que servem,
Que te salvam...

A vida se destrói...
Nos equívocos das palavras,
Nos enganos das ideias,
Nas revoltas do coração,
Na brutal força das mãos...

Mãos que te fazem refém,
Que rasgam,
Que sacodem,
Que aprisionam,
Que ferem,
Que arrancam,
Que destroem,
Que maculam,
Que matam...


Susely


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

DESEJOS DE MULHER...




Desejo ser mansidão,
Viver na harmonia da emoção,
Mas, meu coração diz: Não!
E se inspira na contradição.
Por isto...
Às vezes sou calmaria,
Outras, pura energia.
Às vezes trago leveza,
Outras, tanta incerteza.
Às vezes te quero tanto,
Outras, desperto teu pranto.
Às vezes sou tua amada,
Outras, não te gosto nada.
Às vezes te deixo perdido,
Outras, tão convencido.
Às vezes te deixo extasiado,
Outras, preocupado.
Às vezes sou tua princesa,
Outras, tua fereza.
Às vezes sou tua feiticeira,
Outras, tua rameira.
Às vezes sou profunda pureza,
Outras, intensa esperteza.
Às vezes te completo,
Outras, te desinquieto.
Às vezes sou teu viver,
Outras, teu padecer...
Desejo ser apenas tua menina amada,
A mulher por ti desejada,
Que te deslumbra e vicia,
Que te seduz e alumia.
Não sei se tens compreensão,
Das sutilezas do meu coração,
Talvez não tenhas noção se quer,
Dos meus desejos de mulher...

Susely

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

ABISMO






Como em chuvas de verão
Ás vezes, as ideias parecem trovão.
Sentimentos conflitantes aflorando no coração,
Escravizando qualquer sensação.

Sem conseguir harmonizar,
Triste comoção a sufocar,
Meu peito geme, lamenta e chora.
E lembrar-te é angústia, que não vai embora.

Faz-se iminente a solidão,
Que arredia machuca, deturpa, vira inquietação.
Melancolia em meu mar a se derramar,
Ermo que nada consegue consolar.

Como folhas de outono ao vento,
Vaga meu pensamento,
Dançando solto ao relento,
Revolto evento em movimento.

Sentimentos desiguais,
Distintos e naturais,
Altercantes ao aflorar,
Odiar ou amar?

É momento de mudança.
Obstáculos, hoje minh’alma ultrapassa.
Razão e emoção na balança,
Fogosidade almejando temperança.

 Como em singelas notas de uma canção,
Eis que algo toca meu coração,
Inusitada inspiração,
Emergindo Compreensão.

E como por encanto,
Dissipa-se o ceticismo.
É a beira do abismo,
Que a vida faz sentido.



 Susely



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

UTOPIA



Observo no amanhecer,
Pássaros em liberdade,
Dançando com docilidade,
Na melodia do alvorecer.

Voam sem ansiedade,
Em companheirismo e cumplicidade,
Em sintonia e docilidade,
Solidariedade e simplicidade.

Plainam, cantam e dançam,
Comemoram o nascer de mais um dia,
Em rasantes vôos se cruzam,
Precisos movimentos em harmonia.

Fico ali, a espreitar e imaginar,
Quão felicidade nos traria,
Se na humanidade houvesse a mesma parceria,
E em coerência vivessemos a mesma filosofia.

Entristeço-me, por saber que são delírios de uma utopia,
Mas, será que possível seria um dia?

Susely 


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

DRAGÃO





És cruel Dragão,
A rondar este meu céu,
Queimando o meu véu,
Acelerando meu coração.

Em cadenciado voar,
Deixas  rastro de magia...
Sedutora fragrância paira no ar,
E minh’alma contagia.

Sob teu quente sussurrar,
Magnetismo a me enfeitiçar,
Sinto o coração abrasar,
E teu fogo me queimar...

Sopre tuas labaredas
Fumegante de paixão...
Conquiste meus territórios,
Meus vales, sem compaixão...

Venha com tua luz divina,
Beber água cristalina,
Desta fonte feminina,
Que te deseja e alucina.

Eu te caço, te laço.
Viro presa, indefesa,
Não importa o que faço,
Tu me deixas sempre acesa...

Quero teu fogo mais ardente,
Teu doce beijo quente,
Teu desejo inconsequente,
Teu olhar mais eloquente...

Enrosque-me em tuas asas,
Me leves ao teu  céu...
Conceda-me o apogeu,
Em teu mar de brancas rosas.

Susely