sábado, 22 de dezembro de 2012

CICLOS







De círculos e ciclos,
A vida repica,
Como os sinos...
Os desatinos...
Penetram os miolos,
E redundam nos olhos...

Lembro-me daquela menina,
De suas esperanças,
Dos sonhos de criança,
Dos preconceitos que sofria,
Da falta de amizades que sentia,
Da solidão...

Mas, a menina crescia,
Encontrou-se com a ilusão,
E o amor, então...

A lagarta, borboleta virou,
E nova vida experimentou,
Amores e dores vivenciou,
Temores e valores o coração provou...

Das flores que beijou,
Inusitados sabores sugou,
Alguns a fizeram cambalear,
Outros a fizeram borboletear,
Sonhar e novos rumos buscar...

Mas, a existência não para,
Continua seus ciclos...
Círculos no picadeiro da vida,
Ciclos que se vão,
Outros que jamais passarão...
Uns trazem escravidão,
Deixando insatisfação,
Outros trazem redenção,
Amenizando a existência,
Trazendo resistência...

E os círculos nos ciclos,
Continuam a repicar,
Enquanto a experiência continuar...

Susely




quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

BARCO A VELA





Gélidas palavras, queimam minh’alma,
Como braseiros, o peito congelam.
Turbulentos pensamentos, nos olhos afloram,
Mas após a fúria, o mar se acalma.

Barco a vela, a navegar,
Em muitas ilhas pôde ancorar.
Solidão é bussola a mostrar,
Que o importante é o simples amar.

Meu coração, pobre veleiro,
Que mal sabia velejar,
Se perdeu no aguaceiro,
Levado pelas ondas do mar.

Onde o oceano é congelado,
Vira deserto petrificado.
O vento, de alva poeira, carregado,
Entulha a visão, faz tudo esgotado.

E mesmo não estando acabado,
O começado, foi terminado.
Mais um barco ancorado,
Nas ruínas do seu legado.

Susely


domingo, 2 de dezembro de 2012

CAMINHOS




Às vezes caminho em chão de flores,
Sentindo a maciez e seus odores.
Mas piso em espinhos e sinto dores,
Sem vê-los, acautela-se o coração em temores.

Às vezes caminho sobre areia,
Que desequilibra e cambaleia.
Faz-me devagar caminhar, procurando uma esteia,
Que me auxilie neste solo, que desnorteia.

Caminho ao vento,
Na chuva, ao relento,
Em silêncio, quase sem movimento,
Ofegante, de vida sedento.

Poeira se levanta,
A visão tampa,
O pensamento atordoa e espanta,
Sobejando um nó na garganta.

Folhas de outono bailam sobre o véu,
Ofuscada percepção, não se nota o céu.
Roda-moinho de vida ao léu,
Herdeiros afigurados de réu.

No esforço de cada passo,
Às vezes com ânimo escasso,
O deslocar-se é fixado num mesmo compasso,
Que num lapso, pode não se findar em fracasso.

Assim, queda-me a armadura,
Esta chancelada moldura,
Imparcial a toda criatura,
Cavando-nos idêntica sepultura.

Este júbilo renova-me a trilha,
Extirpa-se o sobreposto véu, nova estrela no céu brilha.
Vigor que a existência inspira,
Aliando-se razão e emoção, e a mágica fervilha.

Contagiante panacéia,
Fazendo o espírito boiar nas ondas do ar,
Principiante fugaz em intentos alçar.
Às vezes é real este despertar,
Outras, apenas singelos e dispersos salutar.

Susely 







quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A VIDA



A vida deveria ser partilha,
Como estrela que sempre brilha,
Como a luz que a todos alumia,
E não essa fragmentada ilha.

A humanidade guia-se na insensibilidade,
Desabrocha na mediocridade,
Semeia esperança e amizade,
E rega com fel da crueldade.

Atos insanos, fantasiados de verdade,
Criam máscaras, fazem trapaças,
Deturpam os sentidos e brindam com taças.
Um brinde ao apogeu da futilidade!

A verdade é esquecida,
Perdida no tempo vira lenda.
Muda-se do real para o artificial,
Cada dia mais distante do seu ideal.

E tudo vaga como mera lembrança,
Tal qual brincadeiras de criança,
Ou algo assim inventado,
Para manipular o povoado.

E a máscara arde e gruda na cara,
Impregna-se como carma.
Deprecia-se a decência,
A essência, a clemência.

O importante, muda de lado,
Flutua no vazio abstrato.
Procurando uma fenda,
Antes que a vida se renda...

No coração, algo fica faltando,
Procura-se, mas não se sabe o que se esta procurando.
Até parece que vira ilusão,
Algo desconhecido, sem razão.

Vive-se à beira do precipício, esperando o empurrão,
Sempre sofrendo por antecipação.
A vida vira um grande borrão,
E os feridos; ferem por suposição.

As dores cravadas num tempo que não existe mais,
Ainda doem, parecem tão reais.
Mas, o que nos fere, são reações normais,
Causadas pela raça dos que se dizem racionais.

Enquanto ainda dói, recolho-me no silêncio da noite.
Sinto-me presa no tronco do açoite,
Onde o chicote pendurado ainda goteja,
As dores da minha peleja.

Menores que as do peito, são as fissuras na pele,
Banhadas no cálido oceano que expele,
Jazem na face, sem conotação,
Deixando na alma, mórbida emoção.

Noites e dias passam iguais...
O orvalho da noite, seca ao calor do dia.
Ao crepúsculo, sob forte chuva fria,
A enxurrada leva os dias acabrunhais.

Livro-me do cativeiro,
Fujo em desespero.
O grito entalado, sufocado,
É retido, pois jamais seria escutado.

Ainda sou ave de asa quebrada,
Que em sua dor, se recolhe calada,
A espera de ser curada,
E ao céu, ser novamente, lançada.

Susely





sexta-feira, 23 de novembro de 2012

CONFLITOS




Pesarosas janelas da vida,
Pleiteavam uma chuva que não cairia.
Um furacão, o templo consumia,
Bloqueando saídas numa infame arritmia,
Transformando em vã,  ligações e sintonias.

Neste altar onde o olhar fala o que a boca cala,
Frondosa ferida no livro da vida emergia,
Daquelas que se enraíza, que jamais sara ou é removida,
Sem que pela alma, seja requerida
A luta, pelo extermínio desta maldita.

São como mortos das tumbas tentando levantar,
Ansiosos por um espaço à assombrar,
Mas, o que morreu, morto deve ficar.

Lá fora, estrelas no oriente brilham,
Um novo dia, uma nova chance,  corações inflamam,
Provando que na vida, quem acredita, os nós desatam.

“Mente sã, corpo são” sábia filosofia,
Que há muitos séculos nos guia e inspira,

Sem que saibamos quão grande é sua valia.


Susely



quarta-feira, 7 de novembro de 2012

ILUSÃO



Sinto-me enclausurada...
Fechada...
Aprisionada...
Acorrentada dentro de mim...
Labirinto sem fim...
Sem direção...
Sem razão...
Só solidão.

Quero fugir,
Conseguir sentir,
Me abrir,
Deixar fluir sentimentos,
Que em minhas veias correm,
E dos olhos escorrem,
Num grito calado,
Abafado.

Sorriso apertado, forçado...
Coração magoado,
Maltratado,
Por vezes espinhado.
Não sei no que acreditou,
Ou o que a alma cogitou,
Só sei que a ilusão acabou,
E a esperança me deserdou.

Às vezes parece que vou,
Mas vejo, que ainda estou.
Com fragmentos do que restou,
Amotinada com o que não bastou,
Juntando o que no coração ficou.
Preciso me levantar,
Preciso me encontrar,
Me realinhar...

Sempre fui sonhadora,
De minha história precursora.
A vida não pode ter apenas maldades,
Repleta de corações astutos e de enfermidades...
Uma ilusão impostora,
Não pode ser a única promissora
De minha sanidade...
De minha felicidade.

Susely









quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A ROSA




À beira do lago, observo meu reflexo.
Já não sou quem um dia fui.
Os dias passaram perplexos,
Desertos, que a mente ruí.

Lembrei-me de uma história,
Há muito esquecida na memória,
Que nos olhos afloram, agora...
A dor que há muito não chora.

Havia linda rosa num jardim,
Ladeada de alecrins e jasmins.
Alguém sem coração ou dó,
Com uma adaga, lançou-a ao pó.

Adaga afiada feriu e cortou,
Mimosa rosa que o jardim perfumou.
Sem saber o que lhe apunhalou,
Rubra rosa murchou e secou.

Os beija-flores que voavam no jardim,
Da rosa lamentaram o fim.
As outras flores fizeram motim,
E naquele lugar, hoje, só existe capim.

Assim, sinto-me ao contemplar esta face,
Como se minh’alma sufocasse,
Como se algo me apunhalasse,
E sem respirar eu definhasse.

Susely








domingo, 14 de outubro de 2012

NEGO...





Nego o bálsamo de meu afável olhar,
Nego o calor dos meus lábios,
Nego a brandura da minha voz,
Nego o aconchego dos meus braços...

Nego...

Nego os versos inversos do meu coração,
Nego a luminosidade inefável da minha paixão,
Nego que o meu corpo anseia de tesão,
Nego nossa "quimica", esta intensa atração...

Nego...

Nego em palavras... Meus gestos contestam,
Nego e escondo o rosto... Pois, meus olhos me revelam,
Nego tentando controlar a emoção,
Mas, quando te olho nos olhos, sinto-me em comoção...

Nego...

Mas tudo em mim é o avesso do que quero revelar...

Nego...

Mas continuo a te amar...


Susely

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A VIDA POR UM FIO...




A vida por um fio...
No fio...
Da navalha,
De uma palavra,
De um pensamento,
De um gesto impensado,
Em alguém confiado.
Num beco escuro,
Ao dia, ao sol, à noite,
Na chuva, na grama, na rua,
No carro, na estrada, na calçada,
No vazio, no frio, no rio,
No calor, no amor, na dor,
Seja como for,
A vida esta sempre por um fio...
Relacionamentos por um fio...
Mudanças por um fio...
Tudo por um fio...
Segundos que fazem a diferença,
Entre viver e morrer,
Ser ou não ser,
Sim ou não,
Sorrir ou chorar,
Acertar ou errar,
O Céu ou O Inferno...

Tudo por nada ou nada por tudo?
Que encruzilhada!

Pensa-se tudo, sabe-se nada.
E se nada se pensa, pior é a ofensa.

Todos na mesma estrada,
Uns dão uma avançada, outros uma atrasada,
Mas é a mesma jornada, a mesma caminhada.

Sonhar é bom, faz bem ao coração,
Dá vida a vida, da força e emoção.
Às vezes há tanto sonhado, nada concretizado,
Ás vezes realiza-se o inesperado, que jamais fora sonhado.

Uma vida que se perdia,
Uma vida quase nascia,
Mas, a que se perdia viveu,
E a que nascia, morreu.

Uma vida por uma vida, qual será a valia?

Que tremenda ousadia, achar que eu poderia tal pergunta realizar.
Não precisa ter lógica, não existe lógica para apologizar.
Só faz parte da história, de um ciclo sem fim,
Só faz parte de um todo, inexplicável, enfim...


A bola continua a girar,
Nada altera a trajetória,
Não para pra gente se consertar,
Para os cacos colar,
Pras lágrimas enxugar,
Ou apenas respirar...

“A vida é frágil e temos medo”
Sabias palavras de um amigo poeta.
Temos medo, por que não temos controle,
Não ter controle nos fragiliza,
E o que nos fragiliza, nos dá medo.

Medos e mais medos,
Que corroem nosso enredo.
Mas o medo não é segredo,
Todos nós carregamos o mesmo rochedo.
Seria bem mais fácil se o deixássemos entre o arvoredo.
Seria mais simples se aprendêssemos isto desde cedo,
A caminhar sem este peso, que nos deixa azedo.
A vida com certeza fluiria melhor, sem degredo,
Pensaríamos melhor, sem o peso de todo este medo.

Afinal, medo de quê?
De a vida perder?
Ela não nos pertence.
Dos bens desaparecer?
Eles também não nos pertence.
De pessoas morrer?
Todos nós vamos morrer,
E ninguém sai vivo deste enredo.
Medo de doer?
Mas viver também dói,
Ser feliz dói, pois também acaba.
Pra vida, nada é eterno, nada é segredo,
Tudo passou, tudo passa, tudo passará!
A dor, a alegria,
O dinheiro, a pobreza,
A nostalgia, a tristeza,
A juventude e a beleza.
Talvez, só não passe a nobreza da alma,
Se tivermos força para ensiná-la a amar com calma,
Ensinando-a, a não se apegar neste mundo de fantasmas.

Susely