quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A VIDA



A vida deveria ser partilha,
Como estrela que sempre brilha,
Como a luz que a todos alumia,
E não essa fragmentada ilha.

A humanidade guia-se na insensibilidade,
Desabrocha na mediocridade,
Semeia esperança e amizade,
E rega com fel da crueldade.

Atos insanos, fantasiados de verdade,
Criam máscaras, fazem trapaças,
Deturpam os sentidos e brindam com taças.
Um brinde ao apogeu da futilidade!

A verdade é esquecida,
Perdida no tempo vira lenda.
Muda-se do real para o artificial,
Cada dia mais distante do seu ideal.

E tudo vaga como mera lembrança,
Tal qual brincadeiras de criança,
Ou algo assim inventado,
Para manipular o povoado.

E a máscara arde e gruda na cara,
Impregna-se como carma.
Deprecia-se a decência,
A essência, a clemência.

O importante, muda de lado,
Flutua no vazio abstrato.
Procurando uma fenda,
Antes que a vida se renda...

No coração, algo fica faltando,
Procura-se, mas não se sabe o que se esta procurando.
Até parece que vira ilusão,
Algo desconhecido, sem razão.

Vive-se à beira do precipício, esperando o empurrão,
Sempre sofrendo por antecipação.
A vida vira um grande borrão,
E os feridos; ferem por suposição.

As dores cravadas num tempo que não existe mais,
Ainda doem, parecem tão reais.
Mas, o que nos fere, são reações normais,
Causadas pela raça dos que se dizem racionais.

Enquanto ainda dói, recolho-me no silêncio da noite.
Sinto-me presa no tronco do açoite,
Onde o chicote pendurado ainda goteja,
As dores da minha peleja.

Menores que as do peito, são as fissuras na pele,
Banhadas no cálido oceano que expele,
Jazem na face, sem conotação,
Deixando na alma, mórbida emoção.

Noites e dias passam iguais...
O orvalho da noite, seca ao calor do dia.
Ao crepúsculo, sob forte chuva fria,
A enxurrada leva os dias acabrunhais.

Livro-me do cativeiro,
Fujo em desespero.
O grito entalado, sufocado,
É retido, pois jamais seria escutado.

Ainda sou ave de asa quebrada,
Que em sua dor, se recolhe calada,
A espera de ser curada,
E ao céu, ser novamente, lançada.

Susely





Nenhum comentário:

Postar um comentário