Às vezes caminho em chão de flores,
Sentindo a maciez e seus odores.
Mas piso em espinhos e sinto dores,
Sem vê-los, acautela-se o coração em temores.
Às vezes caminho sobre areia,
Que desequilibra e cambaleia.
Faz-me devagar caminhar, procurando uma esteia,
Que me auxilie neste solo, que desnorteia.
Caminho ao vento,
Na chuva, ao relento,
Em silêncio, quase sem movimento,
Ofegante, de vida sedento.
Poeira se levanta,
A visão tampa,
O pensamento atordoa e espanta,
Sobejando um nó na garganta.
Folhas de outono bailam sobre o véu,
Ofuscada percepção, não se nota o céu.
Roda-moinho de vida ao léu,
Herdeiros afigurados de réu.
No esforço de cada passo,
Às vezes com ânimo escasso,
O deslocar-se é fixado num mesmo compasso,
Que num lapso, pode não se findar em fracasso.
Assim, queda-me a armadura,
Esta chancelada moldura,
Imparcial a toda criatura,
Cavando-nos idêntica sepultura.
Este júbilo renova-me a trilha,
Extirpa-se o sobreposto véu, nova estrela no
céu brilha.
Vigor que a existência inspira,
Aliando-se razão e emoção, e a mágica fervilha.
Contagiante panacéia,
Fazendo o espírito boiar nas ondas do ar,
Principiante fugaz em intentos alçar.
Às vezes é real este despertar,
Outras, apenas singelos e dispersos salutar.
Susely

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