sexta-feira, 27 de abril de 2012

BORBOLETAS NUM JARDIM DE LETRAS




O dom da vida é o amor,
Que tudo faz renascer...
Onde há frio, faz calor,
Na aridez, faz florescer...

Jamais se perde no caminho,
Jamais esquece traçado destino.
Tal qual camaleão se esconde,
Mas sagaz coração, sempre reencontra a fonte.

Vai se fazendo de enganos,
Equívocos soberanos...
De repente tudo faz sentido,
Num instante tudo é entendido...

É como borboletas em jardim de letras, 
Entre flores de  perfume imortal...
São como pensamentos piratas,
Aprimorando o intelectual.

Susely




quinta-feira, 26 de abril de 2012

LAPIDAR




Houve um tempo, que sonhava acordada,
Nuvens se abriam revelando a longa estrada.
Houve um tempo, que fácil a vida se mostrava,
E a alegria por nada era abalada.

Quando se é criança tudo parece ser mais colorido,
Os sentimentos são mais sentidos,
Com facilidade tudo é esquecido,
Brincar e sorrir nunca são medidos.

Um tempo vai, outro logo vem,
Fácil não é pra ninguém.
Há quem se fere e faz desdém,
Há quem reclame e nem machucado têm.

Cada indivíduo é único,
Em seu jeito de sentir, observar, ser lúdico.
Em alta montanha, é difícil  o pico se avistar,
Mas basta querer para nele se chegar.

As estações, perante nossos olhos, rapidamente vão passando,
De repente, se é adulto e o quê estava esperando?
Que o mundo menos complicado fosse ficando?
Que a felicidade viesse voando?

Quão bom seria jamais ter que chorar,
Quão agradável nunca precisar lamentar.
Mas como se pode um diamante lapidar,
Sem lascas com força arrancar?

Susely



terça-feira, 24 de abril de 2012

MÃOS



A vida se constrói...
Na magia do pensamento,
Nos vendavais dos argumentos,
Nos temporais do coração,
Na suave dança das mãos...
  
Mãos que te tocam,
Que aquecem,
Que plantam,
Que colhem,
Que alimentam,
Que escrevem,
Que libertam,
Que servem,
Que te salvam...
  
A vida se destrói...
Nos equívocos das palavras,
Nos enganos das ideias,
Nas revoltas do coração,
Na brutal força das mãos...

Mãos que te fazem refém,
Que rasgam,
Que sacodem,
Que aprisionam,
Que ferem,
Que arrancam,
Que destroem,
Que maculam,
Que te matam...

Susely


segunda-feira, 23 de abril de 2012

NOSSOS LÁBIOS






Ah! Nossos lábios,
Pareciam tão sábios...
Imponentes empórios,
Carregados de mistérios...

Nosso olhar corria, mas na boca jazia,
Despertando sedutoras fantasias;
Ambicionando o beijo que no coração ardia,
Fogoso pecado que não podia...

Inexplicavelmente, mais e mais ansiava,
O fruto proibido que nos sonhos se realizava
E num crepúsculo, um beijo tu roubava.

Teus impetuosos lábios calientes,
Cálice de bebida ardente,
Embriagando-me...
Enlouquecendo-me...
Deixando-me arfante...

Meus lábios molhados,  selou os teus,
Tatuando rubra marca em teu coração.
Levando-te por caminhos da perdição,
Fazendo-te desejar, os desejos meus...

Afoitos lábios que se tocam.
Arrepios que o corpo não engana.
Não há censura que os impeçam,
De saciar os desejos da mente insana.

Susely







domingo, 22 de abril de 2012

QUEM ÉS TU?





Quem és tu,
Que surge à minha frente,
Sem aviso, de repente,
Deste jeito irreverente?

Quem és tu,
Que mexe com meu coração,
Bagunça minha razão
E me tira o chão?

Quem és tu,
Que provoca disparidades,
Que deixa tanta saudade...
Será que tu és de verdade?

Quem és tu,
Que me penetras o coração
Vagarosamente com paixão,
Deixando-me completamente sem ação?

Quem és tu,
Um anjo malvado?
Poeta inspirado?
Ou um mortal apaixonado?

Susely



ASAS DA LIBERDADE




Percorro trilhas, ao topo desta colina,
Onde o vento quase me carrega e me fascina,
Onde o mundo parece não ter fim,
E a vida ter mais vida.

Paisagem de infinita beleza,
Majestosa e agraciada  nobreza,
Sinto-me humano, profano,
Um Grão de areia no oceano...

Momento em que a vida parece parar,
O choro cessar, o coração acalmar...
Harmoniosa sinfonia invade meu mundo,
E deliro ao som deste silêncio profundo.

Vago nas ondas da imaginação,
Solto o pensamento à brisa do vento
E flutuo na imensidão da abstração,
No arroubamento do espírito sigo alento...

Como em transe permaneço,
E do mundo me esqueço,
Sem nome, sem definição, sem exaltação.
Bato minhas asas com empolgação...

Como num sonho bom, experimento a magia do voar,
A liberdade que me é escassa.
Nesta vida, onde tudo brevemente passa,
Mas que tão duramente faz chorar.


Susely




quinta-feira, 19 de abril de 2012

ROMEU E JULIETA




Sou tua Julieta,
És o meu Romeu.
Sei que minha paixão te completa,
E a tua, em meu corpo se perdeu.

Ampulheta vertendo feitiço,
Sedutora canção no ar,
Alquimia a se propagar,
Temperando este aroma outoniço.
 
Tua música ao meu ouvido,
Desperta meu libido,
Um gemido, um suspiro,
Um beijo sustenido.

Transes que nos rendem,
Sublimes toques se fazem,
Almejadas texturas nos trazem,
E esta sedução nos pervertem.

Mundos que se perdem,
Corpos que se aquecem,
Pólen que se atraem,
Em nova essência sobrevêm.
 
Neste jardim de sabores e cores,
Flutuam ao vento pétalas e odores,
Rodamoinho montando flores,
Tênues a outros autores.

Alecrim que desflora,
Já o foste outrora,
Que dormente estavas, ao som da aurora,
Mas, desperto estas agora...

Susely



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Evanescence Like You (com tradução)

SEGREDO




Pulso em tua mente,
Febril, ardente.
Te inquieto,
Neste teu desejo secreto,
De me ter, de me amar,
Que te faz arrepiar,
Ao imaginar,
Meu olhar te penetrar,
E teus sentidos despertar...
Ao tencionar o toque dos meus lábios,
Rubros, carnudos, molhados,
Pelos teus sendo tocados,
Suavemente roçados acalorados,
E depois beijados,
Amassados, sugados,
De um jeito fogoso,
Demorado e gostoso,
Quase um gozo...
Mãos pelo corpo passeando,
Por sobre a roupa roçando,
O calor do corpo desejando,
E no delírio da libertinagem,
Sonhas que de forma selvagem,
Eu possa arrancar tua roupa,
E como fêmea louca,
Degustar-te com minha boca.
Mas, são audaciosas intenções,
Despertando-te sensações,
Arrancando-te emoções...
Sou teu segredo de paixão,
Que tu guardas com descrição,
À sete chaves em teu coração.


Susely




JAZIGO DE DOR





Reflexos de uma face desvanecida,
Vincada por um tempo que se ofusca,
Amarelada, castigada e desconhecida,
Diante do espelho, inutil  é sua busca.

Observa-se em lástima silenciosa,
Abafando o clamor que o peito encerra.
No passado, mulher vivaz e misteriosa,
Hoje, sepultada no julgo da terra.

Os olhos sem expressão e sem cor,
Não mais refletem o esplendor de outrora,
Que ardentes eram, ao despertar da aurora.

Os lábios que imponentes desfilavam,
Que rubros e sorridentes sempre estavam,
Agora, são jazigos de lamento e dor.

Susely







SEM PERDÃO





Fantasmas roubam minha calma,
Gemidos e lamentos ouço,
Neste frio e escuro calabouço,
Vago no abismo da alma.

Doces palavras amargas,
Freneticamente me zombam,
Empunhadas como adagas,
Repetidamente me tombam.

Finco meus pés na solidão,
Clamando - teu canto não mais me afeta!
Imponente miras meu coração
E impiedoso atiras tua seta.

Sinto-me sufocar...
Sinto-me pulverizar...
Tarde demais! Não há salvação!
Tarde demais! Não há perdão!




Susely



segunda-feira, 16 de abril de 2012

ESPINHOS DE ROSAS




Grávida de palavras que jamais nasceram,
Abortados trocadilhos a se dissipar,
Como grãos de areia se jogando ao mar,
Eram estes versos de poesia que pelos dedos escorreram,

Ideias contidas numa frase inacabada,
Soluços rompidos num papel rabiscados.
Como faca afiada no pulso da vida,
Faz jorrar à ruína os dias ensolarados.

Rimas desarmoniosas...
Teço um contexto ambicioso,
Retalhos de um pretexto ocioso.

Vestígio do vocábulo ludibrioso...
Tristes palavras enganosas,
Feito espinhos de rosas.

Susely


sexta-feira, 13 de abril de 2012

LUZ E SOMBRA




É de luz e de sombra,
De altos e baixos,
De certos e errados,
Derrotas ou glórias,
O compasso é marcado,
Fazendo a trajetória.

Duplicidade de escolhas,
Quatro estações na mesma folha,
Que das árvores quedam,
Enquanto outras brotam.

De ciclos em ciclos,
De vacilo ou vícios,
Mentirosos suplícios.
Dias passivos,
Tempos lascivos,
Seguindo comícios,
Tornam-nos omissos,
Em vida submissos.

Assim somos,
Sonhos e medidas,
Começar que se finda,
Um encontrar, uma partida,
Um abraçar, uma despedida,
O desesperar, o se acalmar,
O alegrar e o chorar.

Os dois lados da balança,
O velho e a criança,
Vivendo na esperança,
Buscando confiança.

Duas faces da moeda,
Que jogada se espera,
E ao cair se suporte,
A frieza da vida,
O ardor da morte.

SUSELY




quinta-feira, 12 de abril de 2012

VELHAS FOLHAS





Perguntas tantas,
Sabes quantas?

No tempo, as respostas,
Tantas vezes opostas...
Soluções tardias,
Extinguindo alegrias...

Bem sabes o que levanta poeira,
O que na terra semeia,
O que nasce e o que morre...
Bem sabes o que te rodeia,
O que o sol clareia,
São reações das escolhas,
Rabiscadas em velhas folhas.




Susely






ROSA PROIBIDA




Nos canteiros desta vida,
Mesmo que inibida,
Rubro botão surgia,
Despertando distraída,
Crescendo incontida,
Procurando saída,
Da ditadura incompreendida.

 Flor querida, mas ferida,
Sentia-se enfraquecida.

Num jardim, perdida e esquecida,
Tantas vezes escondida,
Desaguava lágrimas contidas.
Mas, um dia, na mesma lida,
O botão que em rosa se abria,
Como num passe de bruxaria,
Exalou suave alquimia,
E aflorou com supremacia.

Rubras, macias e curvilíneas pétalas,
Sedução em aroma exalas.
Emerge de tua bastilha,
Uma divina armadilha.
Encantos, mistérios e ousadia,
Cobiçado beijo que vicia.

 Destemida da vida,
Ela te cativa, te alicia,
Te usa, te abusa, te silencia...
É puro desejo e malícia...
É rosa bandida...
É rosa proibida.

Susely





Evanescence Fields of innocence TRADUÇÃO

terça-feira, 10 de abril de 2012

MAR DE GELO




Presa em garras afiadas,
Fincadas, na carne cravada,
Fazendo o sangue jorrar,
Ameaçando a vida,  fazendo urrar...

Dilacerada e perdida,
A alma lamenta e grita,
Procura a saída...
Mas, sair para onde?
Sair de onde?
Neste emaranhado de erros,
Presa em  pesadelos,
Acabo sem rumo,
À beira de um abismo.

Será que a vida é feita de cinzas?
De desperdícios em verdades decaídas?
O que achava certo foi apenas ilusão?
Será que todo este tempo enganado estava o meu coração?

Enganada ou não, me sentia alegre...
Era otimista,  sentia-me da vida aprendiz...
Hoje sinto-me sufocada por tanta coisa errada
E percebo que para isto não estava preparada.

Navego num barco à deriva,
Perdida neste mar de gelo,
S.O.S. não serve como apelo.
Já não há mais alternativa,
Já não quero outra tentativa,
Rumo sem perspectiva...

Quero os olhos abrir,
Mas tenho medo do que me resta ruir.
Então, mantenho-me sobre esta ogiva,
Temendo acordar e não estar viva.
Susely