segunda-feira, 9 de abril de 2012

BILHETE






Contemplou seu reflexo,

Com olhar perplexo.

Uma lágrima rolou...

Quando menina, no tempo voltou,

Espreitou os anos transformá-la em mulher,

A vida lhe conceder e tolher,

Época distante, marcada,

Traduzida em brancos cabelos, face vincada.

O destino lhe foi modorrento,

Mas, não houve arrependimento,

Nem tão pouco constrangimento,

Dos dias de detrimento.

Apenas sorriu ao se observar,

Belo sorriso ainda podia esboçar,

Com batom escreveu:

"Vivi e não me arrependi.

Amei e fui amada,

Não me sinto frustrada,

Por aquilo que perdi.

Tudo valeu à pena,

Eu não mudaria nada."

Enrubesceu os lábios e o espelho marcou,

Seu bilhete, assim assinou.

Olhou novamente,

Adeus disse calmamente,

Virou-se e partiu serenamente,

Feliz por ter sido da vida aprendiz,

Por entender tudo, mesmo tarde, o que sempre quis,

Sabia que jamais voltaria,

Que sua imagem não mais veria.

Quem seu recado no espelho leu,

Que ela jazeu, logo entendeu.


Susely






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