quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A MARCA...






Encruzilhada da alma,
Clandestinos olhares,
Rasgadas dores,
De fugitivos amores.

Rompidos segredos,
Coração violado,
Passos atrasados,
Dum coração estraçalhado.

Assombrada calma,
Dilacerado enredo,
Ao som de lágrimas,
Pulsando em segredo.

Momento romantizado,
Por um poeta deslumbrado,
Segundos marcados,
De um tempo não apagado.

Dormente mente, quase enlouquece,
Por um segundo a dor esquece,
Fazendo do lamento uma prece,
E o corpo desfalece...

Palavras zangadas,
No peito tatuada,
Um adeus e nunca mais,
A marca se desfaz.

Susely 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

NOSSOS OLHARES...




Não me lembro quando exatamente foi,
Mas sei, que daquele momento em diante, minha alma dói.
Envolve-me em dissimuladas confusões e me destrói.

Um dia, senti teus olhos desvendando meu olhar,
Dizendo sem palavras, verdades exatas a me cativar...
Falando do sentido das coisas, do amor, do se apaixonar...

Teus olhos, nos meus olhos, profundos mananciais,
Meus olhos, no teu mundo, profanamente especiais,
Olhos nos olhos e as almas jamais serão iguais.

Assim, nossos olhares despertou insanidade,
Beijos, carícias, paixão, faíscas de cumplicidade,
Esquecemo-nos que nos faltava essa tal liberdade.

Massacrados, molhados olhares, se entregaram à modorra,
Paixão inexequível, acorrentada na masmorra,
Imaginando talvez, quem sabe, lá ela morra.

Susely


terça-feira, 18 de setembro de 2012

SORRIU...




Sorriu...

Escondendo a dor,
Camuflando a solidão,
Do machucado coração,
Mau jeito do amor...

Sorriu...

Prá curar a ferida,
Dando tempo ao tempo,
E continuou a vida,
Abandonando-se ao momento...

Sorriu...

E saiu... Vagarosamente...
Acenou... Silenciosamente...
Olhou... Carinhosamente,
O amor que deixou... Dolorosamente.

Sorriu...

Enquanto a alma chorava,
O peito gritava,
O mundo desabava,
E o chão lhe faltava.

Sorriu...

E seguiu em desalinho,
Num desconhecido destino,
Sentindo-se clandestino,
Do próprio caminho.


E sorriu!

Susely


terça-feira, 11 de setembro de 2012

FAZER POESIA...




 
Como fazer um poema,
Sem a beleza dos pensamentos soltos,
Em amores ou dores envoltos?

Como fazer um poema,
Sem os sedutores fantasmas da realidade,
Que sempre transformam nossas verdades?

Como fazer um poema,
Sem os enigmas das condições humanas,
Os dissabores, os amores, as complexidades, os dramas?

A poesia deslegitima teorias,
Desmascara dogmas.
Conta diversas histórias,
Mergulhado em lemas e dilemas.

A poesia é o delírio do poeta,
Que outro coração, também afeta.
É a coreografia dramática de uma caneta,
No branco palco, sobre a prancheta.

A poesia não se encaixa na vida adestrada,
Às vezes vem pela libertinagem carregada,
Outras, de melancolia impregnada,
Ou tudo, na mesma, misturada.

Fazer poesia é sonhar acordado,
Com um mundo diferenciado,
Com igualdades...
Com sanidades...
Amores de verdade...
Grandes amizades...
Ébrio clamor da saudade...
Vôo livre da liberdade...

Fazer poesia é abrasar o coração,
Retirando-o da solidão,
Que mesmo na contra-mão,
Revela sua emoção,
Com toques de abstração.

Fazer poesia é o grito sincero,
Do que se esconde ou venera,
Do que se conta ou espera,
Do que se quer, ou impera.
Um declamar, lapidado com esmero.

Fazer poesia é a mais pura alquimia,
Uma poção, misturando-se realidade e ilusão,
Com doses de sentimento e reflexão,
Figuradas em rimas de suave melodia,
Dançando dentro do meu e do teu coração.



Susely 




terça-feira, 4 de setembro de 2012

TEMPO ALGOZ






Enclausurada nesta ampulheta,
Aviltada, sob impiedosa areia,
O tempo em astuta precipitação,
Macera-me grão a grão. 

Vermelhas lágrimas vertem,
No desespero da fuga.
A poeira alteada me sufoca,
Me tolhe, me detém...

Encarcerada neste mar de espinhos,
Sou corrompida, controlada, explorada,
Sou pervertida, assolada e  transformada...
Não importa meus desejos, anseios e sonhos.

Apavora-me este espectro hostil.
Este tempo sem compaixão ou coração.
Indiferente a tudo, com teu cetro na mão,
É  inóspito, é inglório, é infértil, é senil.

Susely









sábado, 1 de setembro de 2012

FOI NUMA NOITE...




 Quando notei a escuridão, já era alta madrugada. Meu raciocínio ainda era meio sonolento. Fazia um silêncio ensurdecedor e meus olhos quase nada podiam ver.
            Numa velha e florida poltrona adormeci e apesar de me sentir leve como se flutuasse, quando acordei, não consegui dela me levantar.
            As cortinas da sala esvoaçaram com o gélido vento que adentrava as janelas ainda abertas, avisando que uma forte chuva logo cairia. De repente o céu foi cortado por um estrondoso clarão, um calafrio me percorreu a espinha e meu corpo se arrepiou.
            A casa que outrora fora doce conhecida, neste instante, pelo raio iluminada, pareceu-me solitária e vazia.
Como poderia estar tão diferente meu recanto abençoado?
Um forte barulho de chuva no telhado fez meu pensamento se perder e já não conseguia em nada me concentrar. Em flashes, algumas lembranças começaram me atormentar, involuntariamente iam surgindo e não consegui controlar...
O que estava acontecendo comigo?
Novamente tentei levantar e agora em pé, via meu corpo sentado, foi neste momento que perdi a noção do que sentia...
Incrédula, olhando meu corpo que jazia, tentei chorar, tentei gritar, tentei fugir, mas estava paralisada, petrificada.
A vida passou...
Será que num segundo?
É assim que se finda o mundo? O meu mundo?
Durante quanto tempo não sei, continuei a observar:
A menina...
A casa...
A escuridão...
As sombras...
Nada fazia sentido...
Tudo guardado, tudo perdido, tudo acabado, tudo esquecido...
Voltei os olhos para o invólucro pálido, que parecia adormecido e as lágrimas rolaram pela minha face.
Ah! Se ela soubesse que assim terminaria, teria dado menos importância às rotineiras preocupações, teria aberto seu coração para as belezas e os amores da vida.
Quanta tolice...
Quanta banalidade...
E agora é tão tarde!
De repente me senti livre, leve, era como se uma onda de paz me envolvesse e nada mais afligisse meu coração.
Será que coração eu ainda tinha?
A cena foi se desbotando, amarelando, como que sendo esquecida...
Nada restou para esta alma que quase sem perceber voou com calma para a luz que do céu aflorava.
Daquela mulher, o que sobrou?
Talvez apenas lembranças no coração de quem a amou.
Será que alguém a amou?


Susely