Como fazer um poema,
Sem a beleza dos
pensamentos soltos,
Em amores ou dores
envoltos?
Como fazer um poema,
Sem os sedutores
fantasmas da realidade,
Que sempre transformam
nossas verdades?
Como fazer um poema,
Sem os enigmas das
condições humanas,
Os dissabores, os
amores, as complexidades, os dramas?
A poesia deslegitima
teorias,
Desmascara dogmas.
Conta diversas
histórias,
Mergulhado em lemas e
dilemas.
A poesia é o delírio do
poeta,
Que outro coração,
também afeta.
É a coreografia dramática
de uma caneta,
No branco palco, sobre
a prancheta.
A poesia não se encaixa
na vida adestrada,
Às vezes vem pela
libertinagem carregada,
Outras, de melancolia
impregnada,
Ou tudo, na mesma,
misturada.
Fazer poesia é sonhar
acordado,
Com um mundo diferenciado,
Com igualdades...
Com sanidades...
Amores de verdade...
Grandes amizades...
Ébrio clamor da saudade...
Vôo livre da
liberdade...
Fazer poesia é abrasar
o coração,
Retirando-o da solidão,
Que mesmo na
contra-mão,
Revela sua emoção,
Com toques de
abstração.
Fazer poesia é o grito
sincero,
Do que se esconde ou
venera,
Do que se conta ou
espera,
Do que se quer, ou impera.
Um declamar, lapidado
com esmero.
Fazer poesia é a mais pura
alquimia,
Uma poção,
misturando-se realidade e ilusão,
Com doses de sentimento
e reflexão,
Figuradas em rimas de
suave melodia,
Dançando dentro do meu
e do teu coração.
Susely
