terça-feira, 11 de setembro de 2012

FAZER POESIA...




 
Como fazer um poema,
Sem a beleza dos pensamentos soltos,
Em amores ou dores envoltos?

Como fazer um poema,
Sem os sedutores fantasmas da realidade,
Que sempre transformam nossas verdades?

Como fazer um poema,
Sem os enigmas das condições humanas,
Os dissabores, os amores, as complexidades, os dramas?

A poesia deslegitima teorias,
Desmascara dogmas.
Conta diversas histórias,
Mergulhado em lemas e dilemas.

A poesia é o delírio do poeta,
Que outro coração, também afeta.
É a coreografia dramática de uma caneta,
No branco palco, sobre a prancheta.

A poesia não se encaixa na vida adestrada,
Às vezes vem pela libertinagem carregada,
Outras, de melancolia impregnada,
Ou tudo, na mesma, misturada.

Fazer poesia é sonhar acordado,
Com um mundo diferenciado,
Com igualdades...
Com sanidades...
Amores de verdade...
Grandes amizades...
Ébrio clamor da saudade...
Vôo livre da liberdade...

Fazer poesia é abrasar o coração,
Retirando-o da solidão,
Que mesmo na contra-mão,
Revela sua emoção,
Com toques de abstração.

Fazer poesia é o grito sincero,
Do que se esconde ou venera,
Do que se conta ou espera,
Do que se quer, ou impera.
Um declamar, lapidado com esmero.

Fazer poesia é a mais pura alquimia,
Uma poção, misturando-se realidade e ilusão,
Com doses de sentimento e reflexão,
Figuradas em rimas de suave melodia,
Dançando dentro do meu e do teu coração.



Susely 




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