A vida
deveria ser partilha,
Como
estrela que sempre brilha,
Como a luz
que a todos alumia,
E não essa
fragmentada ilha.
A
humanidade guia-se na insensibilidade,
Desabrocha
na mediocridade,
Semeia
esperança e amizade,
E rega com
fel da crueldade.
Atos insanos,
fantasiados de verdade,
Criam
máscaras, fazem trapaças,
Deturpam
os sentidos e brindam com taças.
Um brinde
ao apogeu da futilidade!
A verdade
é esquecida,
Perdida no
tempo vira lenda.
Muda-se do
real para o artificial,
Cada dia
mais distante do seu ideal.
E tudo
vaga como mera lembrança,
Tal qual
brincadeiras de criança,
Ou algo
assim inventado,
Para
manipular o povoado.
E a
máscara arde e gruda na cara,
Impregna-se
como carma.
Deprecia-se
a decência,
A
essência, a clemência.
O
importante, muda de lado,
Flutua no
vazio abstrato.
Procurando
uma fenda,
Antes que
a vida se renda...
No coração,
algo fica faltando,
Procura-se,
mas não se sabe o que se esta procurando.
Até parece
que vira ilusão,
Algo
desconhecido, sem razão.
Vive-se à
beira do precipício, esperando o empurrão,
Sempre
sofrendo por antecipação.
A vida
vira um grande borrão,
E os
feridos; ferem por suposição.
As dores cravadas
num tempo que não existe mais,
Ainda
doem, parecem tão reais.
Mas, o que
nos fere, são reações normais,
Causadas
pela raça dos que se dizem racionais.
Enquanto
ainda dói, recolho-me no silêncio da noite.
Sinto-me
presa no tronco do açoite,
Onde o
chicote pendurado ainda goteja,
As dores
da minha peleja.
Menores
que as do peito, são as fissuras na pele,
Banhadas
no cálido oceano que expele,
Jazem na
face, sem conotação,
Deixando
na alma, mórbida emoção.
Noites e
dias passam iguais...
O orvalho
da noite, seca ao calor do dia.
Ao
crepúsculo, sob forte chuva fria,
A
enxurrada leva os dias acabrunhais.
Livro-me
do cativeiro,
Fujo em
desespero.
O grito
entalado, sufocado,
É retido,
pois jamais seria escutado.
Ainda sou
ave de asa quebrada,
Que em sua
dor, se recolhe calada,
A espera
de ser curada,
E ao céu, ser novamente, lançada.
Susely


