quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A ROSA




À beira do lago, observo meu reflexo.
Já não sou quem um dia fui.
Os dias passaram perplexos,
Desertos, que a mente ruí.

Lembrei-me de uma história,
Há muito esquecida na memória,
Que nos olhos afloram, agora...
A dor que há muito não chora.

Havia linda rosa num jardim,
Ladeada de alecrins e jasmins.
Alguém sem coração ou dó,
Com uma adaga, lançou-a ao pó.

Adaga afiada feriu e cortou,
Mimosa rosa que o jardim perfumou.
Sem saber o que lhe apunhalou,
Rubra rosa murchou e secou.

Os beija-flores que voavam no jardim,
Da rosa lamentaram o fim.
As outras flores fizeram motim,
E naquele lugar, hoje, só existe capim.

Assim, sinto-me ao contemplar esta face,
Como se minh’alma sufocasse,
Como se algo me apunhalasse,
E sem respirar eu definhasse.

Susely








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