À beira do
lago, observo meu reflexo.
Já não sou
quem um dia fui.
Os dias
passaram perplexos,
Desertos,
que a mente ruí.
Lembrei-me
de uma história,
Há muito esquecida na memória,
Que nos
olhos afloram, agora...
A dor que
há muito não chora.
Havia linda rosa num jardim,
Ladeada de
alecrins e jasmins.
Alguém sem
coração ou dó,
Com uma
adaga, lançou-a ao pó.
Adaga
afiada feriu e cortou,
Mimosa
rosa que o jardim perfumou.
Sem saber
o que lhe apunhalou,
Rubra rosa
murchou e secou.
Os
beija-flores que voavam no jardim,
Da rosa lamentaram
o fim.
As outras
flores fizeram motim,
E naquele
lugar, hoje, só existe capim.
Assim,
sinto-me ao contemplar esta face,
Como se
minh’alma sufocasse,
Como se
algo me apunhalasse,
E sem
respirar eu definhasse.

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