terça-feira, 8 de maio de 2012

O BEM E O MAL



Sou fruto estragado, adubando a terra.
O grito engasgado, dos que vivem em guerra.
A pá que um corpo enterra.
A dor que no peito impera.

Sou húmus que faz germinar a semente.
Sou sombra neste chão quente.
O lixo acumulado na enchente.
Sou o pecado na mente, em brasa ardente.

Sou o leito seco do rio.
A escuridão do beco sombrio.
A serpente do pensamento vazio.
O veneno da língua no cio.

Sou o erro repetido.
O ódio no  peito escondido.
A perspicácia do bandido.
O ego revoltado e agredido.

Sou a sedução e o mistério.
Sou quem te domina e tudo quero.
Sou teu governante e impero,
Sem precisar jamais  de critério.

Sou o calor e o frio.
Na espinha, o arrepio.
O medo e a coragem.
Estou sempre em vantagem.

Sou a alegria e a tristeza.
A pobreza e a nobreza.
A doença e  a saúde.
O barulho e a quietude.

As divergências das situações.
As dúvidas nos corações.
O peso de tuas aflições.
As respostas e as confirmações.

Faço parte de você, posso ser você.
Sou a sombra que te espreita e te segue
E se deixar que eu te carregue,
Ficará à minha mercê.

Sou parte do bem...
Sou parte do mal...
Alimente o que convém,
O que te seja ideal.

Por que sou real, sou virtual,
A nada sou igual.
Sou parte razão, parte sentimental,
Em tudo, sou o diferencial.

Que te pune, que te assume,
Que te une ou desune,
Que te leva ao cume do ciúme,
Ou ao mais puro lume.

Susely



Um comentário:

Elder disse...

Voce está todo dia se superando nas palavras...que delicia ler este poema...

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