Céu
nublado, negro, de clarões rajado,
Olho pela
vidraça, agora respingada,
A chuva
que cai barulhenta e pesada,
Faz meu
coração bater mais descompassado.
Seu
farfalhar intenso a abafar,
Da alma,
igual chuva a desabar.
Flui tão silenciosa
e calma,
Que suavemente
o coração assola.
Enquanto o
céu deságua cantando,
A natureza
festeja ao vento,
Árvores
dançando, flores se curvando,
Igual a
tantos, sem notar meu lamento.
Caminhando
em sua direção,
Sinto-a
tão fria, tão gelada,
Por ela, vagarosamente
sou abraçada,
Sinto-me
envolvida, acarinhada.
Entrego-me
neste encanto,
Caio e não
me levanto.
Olhos
fechados, alma escancarada,
Deixo toda
tristeza ser lavada.
Das
profundezas da alma, um grito,
Tua graça
e benção eu sinto.
Neste
instante de impar beleza,
Meu corpo
se conecta a natureza.
Apenas um
somos agora,
Inexistindo
tempo e espaço,
Fração de
segundo, em que a vida evapora,
E retorna,
em novo compasso.
Susely
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