terça-feira, 15 de maio de 2012

CHUVA




Céu nublado, negro, de clarões rajado,
Olho pela vidraça, agora respingada,
A chuva que cai barulhenta e pesada,
Faz meu coração bater mais descompassado.

Seu farfalhar intenso a abafar,
Da alma, igual chuva a desabar.
Flui tão silenciosa e calma,
Que suavemente o coração assola.

Enquanto o céu deságua cantando,
A natureza festeja ao vento,
Árvores dançando, flores se curvando,
Igual a tantos, sem notar meu lamento.

Caminhando em sua direção,
Sinto-a tão fria, tão gelada,
Por ela, vagarosamente sou abraçada,
Sinto-me envolvida, acarinhada.

Entrego-me neste encanto,
Caio e não me levanto.
Olhos fechados, alma escancarada,
Deixo toda tristeza ser lavada.

Das profundezas da alma, um grito,
Tua graça e benção eu sinto.
Neste instante de impar beleza,
Meu corpo se conecta a natureza.

Apenas um somos agora,
Inexistindo tempo e espaço,
Fração de segundo, em que a vida evapora,
E retorna, em novo compasso.

Susely

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