Às vezes caminho em chão de
flores,
Sentindo a maciez e seus odores.
Às vezes piso em espinhos e sinto
dores,
Sem vê-los, acautela-se o coração
em temores.
Às vezes caminho sobre areia,
Que desequilibra e cambaleia,
Fazendo-me devagar caminhar,
procurando uma esteia,
Que me auxilie neste solo, que
desnorteia.
Caminho ao vento,
Na chuva, ao relento,
Em silêncio, quase sem movimento,
Ofegante, de vida sedento.
Poeira se levanta,
A visão tampa,
O pensamento atordoa e espanta,
Sobejando um nó na garganta.
Folhas de outono bailam sobre o
véu,
Ofuscada percepção, não se nota o
céu.
Roda-moinho de vida ao léu,
Herdeiros afigurados de réu.
No esforço de cada passo,
Às vezes com ânimo escasso,
O deslocar-se é fixado num mesmo
compasso,
Que num lapso, pode não se findar
em fracasso.
Assim, queda-me a armadura,
Esta chancelada moldura,
Imparcial a toda criatura,
Que cava-nos idêntica
sepultura.
Este júbilo renova-me a trilha,
Extirpa-se o véu e nova
estrela brilha...
Energia que a existência inspira...
É quando emoção sobrepõe a razão, e então, mágica a vida vira...
Contagiante panaceia, faz o espírito boiar nas
ondas do ar,
Principiante fugaz em intentos
alçar.
Às vezes é real este despertar...
Às vezes é apenas um singelo e
disperso salutar.
Susely

2 comentários:
Fizeste uma viagem às profundezas da tua alma e pintaste um quadro em tons luminosos que espelham o teu ser, o teu sentir, o teu reflexo sem m?aras!
Gostei imenso.Beijo
Como o anônimo acima disse...pintaste um quadro em tons luminososos...
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