sábado, 1 de setembro de 2012

FOI NUMA NOITE...




 Quando notei a escuridão, já era alta madrugada. Meu raciocínio ainda era meio sonolento. Fazia um silêncio ensurdecedor e meus olhos quase nada podiam ver.
            Numa velha e florida poltrona adormeci e apesar de me sentir leve como se flutuasse, quando acordei, não consegui dela me levantar.
            As cortinas da sala esvoaçaram com o gélido vento que adentrava as janelas ainda abertas, avisando que uma forte chuva logo cairia. De repente o céu foi cortado por um estrondoso clarão, um calafrio me percorreu a espinha e meu corpo se arrepiou.
            A casa que outrora fora doce conhecida, neste instante, pelo raio iluminada, pareceu-me solitária e vazia.
Como poderia estar tão diferente meu recanto abençoado?
Um forte barulho de chuva no telhado fez meu pensamento se perder e já não conseguia em nada me concentrar. Em flashes, algumas lembranças começaram me atormentar, involuntariamente iam surgindo e não consegui controlar...
O que estava acontecendo comigo?
Novamente tentei levantar e agora em pé, via meu corpo sentado, foi neste momento que perdi a noção do que sentia...
Incrédula, olhando meu corpo que jazia, tentei chorar, tentei gritar, tentei fugir, mas estava paralisada, petrificada.
A vida passou...
Será que num segundo?
É assim que se finda o mundo? O meu mundo?
Durante quanto tempo não sei, continuei a observar:
A menina...
A casa...
A escuridão...
As sombras...
Nada fazia sentido...
Tudo guardado, tudo perdido, tudo acabado, tudo esquecido...
Voltei os olhos para o invólucro pálido, que parecia adormecido e as lágrimas rolaram pela minha face.
Ah! Se ela soubesse que assim terminaria, teria dado menos importância às rotineiras preocupações, teria aberto seu coração para as belezas e os amores da vida.
Quanta tolice...
Quanta banalidade...
E agora é tão tarde!
De repente me senti livre, leve, era como se uma onda de paz me envolvesse e nada mais afligisse meu coração.
Será que coração eu ainda tinha?
A cena foi se desbotando, amarelando, como que sendo esquecida...
Nada restou para esta alma que quase sem perceber voou com calma para a luz que do céu aflorava.
Daquela mulher, o que sobrou?
Talvez apenas lembranças no coração de quem a amou.
Será que alguém a amou?


Susely 


Um comentário:

Unknown disse...

Sair do corpo é muito bom...quando se tem para onde ir...

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