quarta-feira, 15 de agosto de 2012

UM GRITO



Mergulho num turbilhão de pensamentos,
Sentimentos instáveis, intransferíveis.
No fundo do abismo procuro alento,
Na boca da fornalha lanço lamentos cabíveis.

Resquício de lamúria incontido,
Uma fissura na alma não preenchida.
Mórbida sensação que assombra a vida,
Rodamoinhos em um intelecto comedido.

Despojo-me dos elos com o irrecuperável,
Símbolos traçados com o inatingível.
Pasma e perplexidade sobrevêm,
Num prelúdio já imaginável, mas, não aceitável.

Passado tem significado de morto...
Que a sombra da noite o faz enlouquecido.
Súplicas vazias jogadas ao vento,
Na alma o silêncio comovido.

Conduzida pelas sendas do jardim,
Fez-me tropeçar em intenções malignas.
A noite abriu seu negro véu sobre mim,
Ensurdece-me este vendaval de calúnias...

Coração esmagado, capitula o tédio,
Com tintas de náusea enfadonha.
Como ondas de rebentação, abafo este grito colérico,
Pelos equívocos sobre equívocos de uma imaginação medonha.

Será a sordidez normal num coração outrora amável?
Será que a dor pode ser fatal a um  coração apunhalado?
Onde se esconde a razão, se não se conhece a intenção?
A que ponto chega uma intenção quando se almeja punição?

Irrevogáveis interrogações, no limiar  das questões.
Deduções sem argumentações, sem palpáveis averiguações.
Abstenho-me de explicações,  de indagações,
Minha postura sempre expressou minhas propensões...

Susely





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